Entre gráficos coloridos e ruas vazias, o Espírito Santo celebra uma paz que só existe nas estatísticas
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O Espírito Santo exibe números otimistas sobre a criminalidade, mas a sensação de insegurança continua nas esquinas, nas praças e nas casas dos capixabas. A paz virou propaganda. 📊
👁️ A ilusão dos números
Dizem que os homicídios caíram 13%. Parabéns. Menos corpos nas estatísticas, mais tranquilidade nas planilhas. Mas pergunte ao trabalhador da Serra, ao comerciante de Cariacica ou à mãe de Vila Velha se ela sente essa “paz estatística”.
Os dados oficiais são frios. Não mostram o assalto no ponto de ônibus, o arrastão mascarado de rotina, nem o pavor de uma mãe que não sabe se o filho volta da escola.
💰 O marketing da segurança
O Estado investe em drones, câmeras inteligentes e discursos modernos. Enquanto isso, viaturas rodam sem combustível, delegacias carecem de pessoal e os salários mal cobrem o custo de vida.
A tecnologia virou espetáculo, não ferramenta. O programa “Estado Presente” é, muitas vezes, ausente — presente apenas nas redes sociais do governo. 📱
⚖️ A justiça que tarda e o crime que não espera
Enquanto o sistema judicial engatinha, o crime corre. Quem é preso na segunda está solto na sexta, rindo da impunidade. Policiais prendem, promotores denunciam, juízes soltam — e o ciclo recomeça.
O resultado é uma população que já não confia nem na sirene. Ela anuncia o problema, mas raramente anuncia a solução.
🧩 O mapa da paz e o território do medo
O governo celebra municípios que passam mil dias sem homicídios. Ótimo. Mas a violência migra, não desaparece. Sai de Muqui e se instala em Jardim Carapina. De Dores do Rio Preto para o Terra Vermelha. É o mesmo mal, só mudou de endereço.
Essa “paz” não é conquista — é deslocamento. Uma calmaria que soa falsa, como tapar o sol com um boletim de imprensa. ☀️📄
💣 O silêncio das vítimas invisíveis
Enquanto os homicídios caem, as agressões contra mulheres aumentam, os golpes digitais se multiplicam e o tráfico alicia adolescentes.
O Estado mede a violência pelo sangue derramado, mas ignora as feridas invisíveis — aquelas que não viram manchete e não aparecem nas estatísticas.
Afinal, violência que não vira número não atrapalha o discurso.
🚨 Conclusão: o Estado em transe
O Espírito Santo não precisa de um marketing da segurança — precisa de política de segurança. Menos coletivas, mais patrulha. Menos hashtags, mais investigação. Menos discurso sobre “paz”, mais ação real.
Enquanto a segurança pública for tratada como troféu eleitoral, o capixaba continuará refém. E os criminosos, esses sim, continuarão livres — de medo, de punição e, sobretudo, de governo. 💀







